Love Drunk
"Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não aguenta o fato de estar sozinho." Caio Fernando Abreu.
bombaa-de-cereja asked: Feliz dia da Ask! (:

É hoje? Ontem? Tô perdida hahah. Feliz dia da ask pra você também =)


[Flash 9 is required to listen to audio.]

“Como começar uma carta pra alguém que já não conheço mais? Devo começar usando um dos seus antigos apelidos ou devo apenas começar como se estivesse escrevendo a um estranho? Porque hoje nos tornamos estranhos um para o outro, eu sei. Minhas mãos tremem e na minha mente ao mesmo tempo se passa tudo e nada para te escrever. Tem como isso ainda acontecer? E já que não há um jeito menos desconfortável de começar essa carta, deixo do jeito que está. Talvez você se pergunte por que depois de já um certo tempo eu volto a escrever pra você. Falando a verdade, nem eu sei. Já perdi o jeito de escrever pra você, mas mesmo assim eu volto a fazer isso. Estanho tanto pra mim como pra você, eu sei. Eu só queria dizer que eu estou bem. Mas bem de verdade, sem nenhuma mentira por trás disso. Queria dizer também que eu realmente espero que você esteja bem. A coisa que eu mais torço todos os dias, é que você finalmente esteja bem, sem nenhuma mentira por trás disso também. Eu me importo com isso. Me importo em desejar o seu bem e a sua felicidade, apesar de tantas coisas. Como andam seus pais? E sua irmã? Continua sendo aquela menina tão fofa? E você? Conseguiu fazer aquelas tatuagens que você tinha me mostrado? Tanta coisa mudou desde a última vez que nos falamos, não é? Eu fiquei sabendo de umas coisas de você e sei que você também sabe coisas de mim, acho que é isso que acontece quando se tem amigos em comum, certo? Uma vez, aquela nossa amiga em comum me disse uma coisa que na hora eu discordei, mas que talvez tenha um pouquinho de verdade. Ela me disse que por mais que a gente não se fale mais, um continua na rotina do outro. Você acredita nisso? Sabe, eu sinto saudades as vezes. Saudades que na verdade não sei se são suas ou do seu “outro eu”. Prefiro deixar isso indefinido e sem tanta importância. Sim, sem tanta importância mesmo, porque se eu deixar essa saudade tomar conta de mim, eu volto atrás de tudo o que eu fiz até agora. Mas eu prometi a eu mesma que não voltaria mais atrás. Prometi que sairia da sua vida pra tanto eu como você se recuperar de todos os machucados que surgiram na nossa história. Eu estou me recuperando cada vez mais a cada dia que passa e realmente espero que esteja acontecendo o mesmo com você. Mas posso admitir uma coisa? Parece que quanto mais eu me recupero, mais difícil está de tirar você da minha vida completamente. A cada dia eu tenho que ser mais forte ainda pra não voltar atrás. Você ainda me persegue por todos os cantos. O certo seria eu seguir minha vida fingindo que nunca te conheci, não é? Sinceramente, essa é a única coisa que não estou conseguindo fazer. É agoniante isso. Sabe, eu gostaria de te dizer muitas coisas, mas eu precisaria admitir essas coisas pra eu mesma primeiro. Ultimamente andam surgindo coisas na minha cabeça completamente indefinidas e tenho medo de defini-las. Enfim, eu estou bem, estou recuperada e estou aproveitando toda a felicidade que estou sendo recompensada hoje. Só queria te dizer que estou torcendo por você, mesmo de tão longe. Me desculpe por qualquer coisa. Se cuida, adeus.” (Natália Lima)


Se você ama alguém, não deve deixar que mentiras se metam entre vocês. Não importa o que aconteça, mesmo que já tenham perdido um ao outro para sempre, vocês se devem a verdade.
~ Noite Eterna

Tudo o que me lembra você eu vou jogar fora. Vou excluir suas mensagens que tenho guardadas em minha caixa de entrada dizendo que me ama. Vou rasgar todas as folhas que rabisquei seu nome junto ao meu, e depois atear fogo em todas elas. Tudo bem, vou queimar quase um caderno inteiro, mas eu preciso disso. Vou cortar você de todas as fotos que tiramos juntos e deixar apenas a minha imagem. A imagem de uma pessoa que estava vivendo o melhor momento de sua vida. É apenas essa lembrança que quero levar junto comigo daqui pra frente. Dessa vez, eu não quero virar a página, e sim trocar de livro. Nesse livro vou escrever reto por linhas retas. Não vou fazer nada como antes, não vou derramar uma lágrima sequer por homem nenhum, não vou passar noites escutando a mesma música diversas vezes só porque ela me lembra alguém, não vou me deixar abalar. Pra mim chega dessa vida medíocre. Tive meus momentos bons, mas todos eles me levaram para as ruínas. Então se esse for o fim de todos os sorrisos, prefiro não me arriscar. Já tive experiências demais com a dor, e se eu tivesse a chance de revivê-las, não reviveria. Pra mim chega de tudo. Eu vou atear fogo em minha vida e vou levantá-la das cinzas. Nem que isso me leve uma vida inteira.
~ Atear fogo em você, na vida, em tudo. (rememberss)

Anonymous asked: vc tem conta no youtube?

Tenho uma que eu esqueci a senha e outra que eu criei pra por só um vídeo, pq?


Eu sei que prometi não te esquecer, não te abandonar, não deixar de te amar, não pisar na bola, não soltar da tua mão, não fugir do teu olhar e não se tornar aquilo que sempre repudiei. Mas tente encarar os fatos, veja a nossa história, veja quem é que começou com os erros. Olha pra trás e veja quem de nós que começou toda a tragédia. Veja quem é o culpado de todo esse efeito-dominó de erros no nosso relacionamento. Você consegue ver? Tenta enxergar que eu só mudei por conta dos teus erros. Veja, de uma vez por todas, que eu só me tornei isso aqui, essa carcaça sem sentimentos, por conta do que você fez comigo. Usar e jogar fora, foi isso não é? Por mais que você negue, tente virar o jogo e dizer que eu sou o errado, não adianta, meus argumentos são mais fortes. Foi por conta de todo esse seu orgulho e confiança em excesso que nos tornamos isso, estranhos. Foi por conta do que você fez que a nossa história virou só mais um borrão no meu passado. Foi por conta da tua ausência e dos teus atos que eu virei aquilo que você sempre me dizia odiar. Não me tornei isso por vingança ou raiva, mas apenas uma garantia de que eu saiba que você nunca mais vai me querer. E assim eu terei a certeza de que não cometerei o mesmo erro duas vezes.

Só queria te falar, que ver o tempo passar já não me assusta tanto assim. Que deitar no travesseiro à noite, sem sono, não é mais algo traumático. Só queria te falar que eu consigo ouvir qualquer música sem me lembrar de nós dois, que ver tuas mensagens não me fazem chorar e que, vez ou outra, quando tenho que me deparar com notícias tua, as mesmas não me abalam mais. Só saiba que, não dói mais. Não machuca mais. Não arde mais. Conversar contigo já não me traz qualquer sensação anestesiante como antes, já não me faz plena. Veja bem, não estou cem por cento feliz como quando eu te conheci, mas também não trago mais aquela melancolia barata que me acompanhava desde aquele maldito sábado a noite que o céu desabou sobre nossas cabeças. Senti sua falta, e praticamente morri por conta disso. Você me destruiu de certo modo, e eu te culpei por isso todas as noites infernais em que passei remoendo os meses em que estivemos juntos. Mas agora, garoto, agora eu te liberto. Agora, definitivamente, eu decreto o nosso fim. Compreendo que dizer que te esqueci, vai um pouco além do que eu posso suportar, mas fico então com o “não-penso-mais-em-você”. Não quero mais você. Não gosto mais de você. Não sonho mais com o dia em que as coisas possam se acertar novamente. Eu aceitei o nosso fim, digeri a ideia de que amei a pessoa mais estúpida da face da terra, de que a mesma não merecia um tiquinho sequer de tudo o que eu me sujeitei a sentir. Já ultrapassei da época em que ouvir teu nome enchia-me de uma tristeza estúpida, uma vontade de correr pra longe de tudo o que pudesse me trazer de volta a você. Agora, lembrar de nós dois, torna-se algo tão natural e indolor que não me traz sensação alguma. Nenhuma pontinha de arrependimento, amor, admiração ou qualquer outra coisa. Só uma saudadezinha que não faz diferença alguma, que não machuca, que altera absolutamente nada. Aquela agulha pequena que cutuca o coração e te faz pensar “puts, faz tanto tempo!”, que te possibilita dar alguns sorrisos insignificantes. Nada muda. Nem saber que possivelmente você sente minha falta também. Já era, acabou. Só queria que você soubesse que lembrar de você não machuca mais. Só isso. Se eu fui algo pra ti, isso vai significar alguma coisa. Eu estou bem, pela primeira vez depois de você.  Germana K. (icanbeyourcocaine)   


O mundo começa a dar giros e eu penso estar flutuando, quando percebo que continuo no mesmo maldito lugar. Fico me perguntando se o motivo dessa confusão são as bebidas ou os pensamentos, e não chego a lugar nenhum. Evito voltar a pensar com mais um copo cheio, e logo me dou conta da inutilidade daquilo que estou fazendo. E tudo aquilo que eu tentei tão arduamente esquecer, me volta como um baque na mente. O sorriso pequeno e frequentemente sarcástico, as palavras ácidas, os fios de cabelo moreno, os olhos pequenos demais para tanta frieza. E toda doçura que ela consegue ter apesar de todas coisas amargas em sua volta. Lembrei daquela época em que suas palavras ainda eram delicadas e gentis, de como suas bochechas sempre ficavam vermelhas quando eu fazia algum elogio – mesmo que ela negasse -, do toque macio, os lábios suaves. Lembrei do corpo curvilíneo e inseguro. Do andar confiante. Da risada debochada. Dos olhos escuros. Da pele clara. E tudo que eu havia vetado se transforma em uma obsessão que eu não posso cortar, eu preciso dela, preciso do seu cheiro, sua voz. Eu não posso impedir que ela me atinja com sua força total, e me desmorone como sempre faz, toda vez que ocupa mais lugar dentro de mim que eu mesmo.

E, conforme os passos se apressam e o ritmo da pulsação aumenta, o ar começa a ficar cada vez mais gelado e o vento parece mais insuportável a cada segundo. Eu não sei o que deu em mim, só sei que preciso te esquecer. Eu gosto do vento pegando na minha cara e odeio o frio do inverno. É assim desde que eu nasci, e pretendia morrer odiando frio e amando vento. Só que, agora… Não sei. O frio parece me acolher e entender, enquanto o vento só bagunça ainda mais minha vida e inverte as minhas ações. Eu tento fazer com que tudo se ajeite, eu quero que tudo dê certo – mas a culpa é do vento. Ele fica levando as coisas para o lado contrário. Eu jogo amor, e você recebe carinho. Eu grito, você escuta apenas um sussurro. É como se a nossa conexão estivesse eternamente interrompida por uma parede invisível que nos impede até de tentar. Você joga toda a culpa em mim e eu, honestamente, já não sei mais o que faço para te provar que tudo o que eu digo é verdade. O que eu tenho que gritar para que você entenda que não há nenhuma outra capaz de fazer com que eu me sinta assim, nenhuma outra que chegue aos teus pés.

E, de repente, me dou conta para onde meus pés me levaram. Parece até que meu inconsciente meio bêbado me mostrando o caminho para aquilo que eu não deveria estar fazendo. Eu tento me livrar de você, mas parece que, toda vez que isso acontece, meus pés me carregam para perto de ti, novamente. E quem sou eu para negar a melhor companhia do mundo? Quem sou eu para fingir que não sinto nada e que tudo isso é só mentira? Por isso, apenas por isso, eu jogo uma pedra na tua janela como já fiz outras mil vezes, e espero você chegar. Apenas por que eu preciso saber como você está. Apenas para garantir que os olhos ainda contêm as mesmas chamas ferozes que sempre inflavam quando eu a via. Não que eu precisasse disso. Não que ela significasse o mundo para mim. Eu apenas queria… Saber como você estava. Só isso.

- Eu não tenho ideia do que você está fazendo aqui, mas eu sugiro que você vá embora antes que se arrependa.

A porta abriu tão lentamente que eu mal pude ver seus passos curtos e sua forma aparecendo no escuro. A luz da lua destacava seus traços irônicos e a falta de surpresa em seu rosto. A sobrancelha erguida parecia perfeitamente adequada para a situação, e eu não pude evitar de me sentir um pouco tonto na sua presença.

- Eu só… – Porra. Porra. Porra. Não é hora para gaguejar. – Sei lá. Tava passando aqui por perto.

- Qualquer bar, ou vestígio de civilização, fica do outro lado da cidade, Henrique. E mesmo que fosse aqui do lado, você ainda assim não deveria estar aqui. Não sei quantas vezes vou ter que dizer isso para que você finalmente entenda.

- Talvez eu tenha dado alguns passos a mais… Não me pareceu muito grande a distância, em comparação.

- Comparação com o quê?

- Com a distância entre nós dois.

(Silêncio.)

- Henrique… Vai embora, por favor.

- Não posso.

- Pode sim, e eu não sei por que você insiste com essa ideia ridícula de continuar atrás de mim depois de tudo. Acabou, ponto final. Não tem mais história para nós dois, mesmo que isso seja a coisa que você mais quer no mun…

- Ana.

Os olhos se erguem e me encaram com uma indignação digna de aplausos. Você odeia tanto ser interrompida que eu não pude deixar de assistir a essa cena de irritação.

- Que foi?

- Não fala mais, por favor. – antes que você abra a boca, eu me adianto. – Sei que isso não é o que você mais deseja, mas fui eu quem vim até você. Fui eu quem corri atrás. Eu nem sei como vim parar aqui, mas não me arrependo. Acho que eu… Precisava te ver. Saber se estava tudo bem com você. Não ouvindo a tua voz pelo telefone, por que eu sei como você sabe enganar. Precisava saber se você ainda usa essa camisa velha para dormir.

Um sorriso se abre no teu rosto, e eu não sei se estou no caminho certo, ou se estou apenas indo de mal a pior.

- Pode continuar tirando com a minha cara, ela ainda é mais confortável do que esses micro pijamas que as tuas novas platinadas usam.

- E continua sendo mais bonita do que qualquer uma delas. Incrível.– seus olhos se reviram e eu dou gargalhada desse teu jeito tão teu. Anos se passaram e você ainda não aprendeu a conviver com os meus elogios.

- Henrique…

- Que foi? Não to mentindo.

- Eu sei que não.

- Então? Qual é o problema?

- Esse é o problema.

- Sabe, Anna, tem vezes que você mais me confunde do que se explica. Qual é o problema de eu te achar a garota mais linda que eu conheço?

- O problema é que eu não sou, Henrique. Não sou mesmo. E você achar isso só cava mais fundo o buraco em que nós estamos. Por isso, por favor, trata de começar a achar elas mais bonitas do que eu. Começa a achar que eu sou branca demais e que meu cabelo escuro faz com que eu pareça a Mortícia. Sei lá, põe defeito.

Não deu para conter a risada quando você disse isso.

- Sério mesmo, Anna? E posso saber quais seriam os defeitos que você está pondo em mim?

- Bem… Ahn. Eu acho que eu estou me focando mais na personalidade, e dizendo que você é orgulhoso e teimoso demais. Que não me escuta nunca…

- …Eu sempre te escuto

- Que não ta nem aí para mim, sempre preferindo qualquer outra garota do que eu. Me foco no fato de que você só me procura quando a saudade aperta e você decide que precisa de mim. Isso não é vida, Henrique. Isso não é relacionamento, não é nada. E, mesmo que você faça com que eu esqueça disso de vez em quando, eu ainda me amo acima de tudo. E amar à nós dois, ao mesmo tempo, não dá certo. Não funciona. É… Melhor esquecer. Só isso.

- Já disse que não é tão fácil assim, porra. Se fosse, não acha que eu já teria te deixado partir? Não esquece que eu também sinto o mesmo. Ana… Isso não é fácil. Tem vezes que eu desejo sumir da tua vida pra sempre, apenas para poder te ver mais feliz. Eu sinto falta de quando você ria sem motivo algum, quando tudo parecia bem mais fácil para você. Eu quero, com todo meu coração, acreditar que não tem nada a ver comigo, mas eu sei a resposta. Você sempre diz que me mudou, e é verdade. Você me mudou para melhor… E eu te destruí. Sempre fui um desastre, então, qualquer coisa ruim que você fizesse, jamais seria ruim o bastante. Mas você era perfeita. Ainda é, para mim. A sua vida era calma, e eu apareci apenas para desestabilizar. E…

- Henrique.

- Não, deixa eu terminar. E eu sinto muito por isso, mesmo. Sinto muito por não poder ser o príncipe que você merecia que eu fosse. Sinto muito por aparecer aqui meio bêbado e durante a madrugada, quando eu deveria estar indo dormir contigo. Por te ligar quando eu deveria segurar sua mão. Por… Tudo isso que eu te meti. Você realmente merecia estar com algum cara legal que te desse todo o amor e atenção do mundo, e isso ainda é menos do que o que você merece. Eu deveria te deixar em paz, virar as costas e nunca mais voltar a te ver. Mas, Anna… Eu não consigo. Pode parecer estúpido demais, mas eu não agüentaria ver outra pessoa te fazendo mais feliz do que eu pude. Outro cara, principalmente. Eu não quero te perder, não quero te deixar ir embora. Quero ficar, te abraçar e dizer que tudo vai ficar bem. Mas eu não sei fazer essas coisas, Anna. Eu não sei ser a pessoa que te faz sorrir. Só o que eu posso te oferecer é esse trapo… É pouco, comparado a ti, mas é tudo o que eu tenho. Eu to quebrado e totalmente fodido, mas cada parte disso aqui, é tua. Se você quiser, é claro.

(Silêncio.)

- Ana…

- Que foi?

- Diz alguma coisa.

(Silêncio.)

- Acontece, Henrique, que eu não sei se é isso que eu quero. Não mais.

(Silêncio.)

O vento, sempre atrapalhando, levou seus cabelos ao rosto e impediu que eu visse sua expressão, mas isso não era necessário. Pela sua voz, era possível identificar a dor por trás das palavras. E quem sou eu para julgar? Eu não te mereço. Desde o início, isso sempre foi claro. Você é demais para mim – muito mais do que eu merecia, esperava e sabia que jamais teria. Essa garota, bem na minha frente, já havia superado todas as minhas expectativas e agüentado mais de um ano nessa montanha russa, apenas por amor. Você já havia suportado milhares de decepções. Eu a guiei para esse caminho, eu a induzi a me odiar, não me querer por perto. A culpa é toda minha, o erro é todo meu. Disse a ela que era impossível durar para sempre, e fiz com que ela finalmente concordasse com tudo isso que eu tinha a dizer. E sabe o que eu ganhei com isso?

Nada.

Saber que eu finalmente havia ganhado essa batalha não fez com que eu me sentisse nenhum pouco vitorioso. Não fez com que eu sentisse nada, além de um vazio imenso que ameaçava me engolir inteiro. Seus olhos escuros encontraram os meus, e a mesma frieza de suas palavras me acertou em cheio. Meus joelhos fraquejaram, e tudo que eu queria era te segurar em meus braços.

As lágrimas se formando em teu rosto me impediram de dar um único passo para a frente.

- Henrique?

- Diga.

- Já ta tarde… Acho melhor você ir embora.

- E é isso mesmo que você quer? – por favor, diga que não.

(Silêncio.)

- O que eu quero não importa. Mas é isso que eu acho certo.

- Se é tão certo assim, porque me parece tão errado simples dar as costas e ir embora?

(Silêncio.)

Um suspiro.

- Finalmente chegamos à mesma linha de raciocínio. – um sorriso no canto do teu lábio se ergue, mas ele não faz com que eu me sinta melhor. – Boa noite, Henrique. E que esse boa noite seja o suficiente para suprir a falta de você em todas as outras noites.

- O que isso significa?

- Adeus, Henrique.

Em câmera lenta, você se vira e caminha de volta para a porta. A eterna barreira que continua nos separando. O ar enche meus pulmões – eu preciso gritar, preciso dizer que você é importante demais para te ver partir tão simples assim. Minha pele inteira formiga. Quero correr até você, segurar seu pulso e me certificar de que você jamais cogite ir novamente. Mas meus pés, tão importantes dentro dessa missão de resgate, resolvem não se mexer. E meus olhos, por sua vez, secam ao olhar, pelo o que eu julgo ser a última vez, o cabelo moreno ondular e cair sobre as costas, as pernas darem passos certeiros e confiantes, os braços se moverem no ritmo do corpo, a cabeça se erguer e não deixar dúvidas de sua decisão. Durante todos esses segundos intermináveis, não houve uma única parte minha que não tenha sentido a sua perda com força máxima e letal. Não houve um único milésimo em que eu não desejei poder apenas te puxar de volta para mim e esquecer que algum dia tínhamos sido tão diferentes.

Acontece que eu não fiz – e, assim, te vi partir.

Meio segundo antes da porta se fechar, a última coisa que vi foram seus olhos. Negros, seguros, confiantes, inteligentes, sarcásticos. Olhos que nunca mentiram para mim, mas sempre omitiram toda a verdade. Frieza. Toda nossa construção desmoronou, e sobrou apenas essa distância fria e cruel. Dor. Tão presente em você quanto em mim. E não há nada que eu possa fazer para afastá-la do teu peito – a única maneira, é me afastando também. Se é isso que vai fazer você sorrir, quem sou eu para impedir?

(A porta se fecha. O último olhar se vai.)

- Adeus, Anna.

Ana F (salt-waterroom)


Talvez eu tenha crescido e aprendido que a vida não é um conto de fadas, ou o mundo incrível que eu pensava que era.
~ apocalips-e 

Eu paguei caro para te esquecer.